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Uma criança nasce marginalizada? O caminho para paz e o reflexo da violência nas comunidades

24 AGO 2014
24 de Agosto de 2014

Estamos vivendo em meio a muita violência em nossa cidade, aliás, em todo nosso país. Esse reflexo faz com seja cada vez mais comum o uso da justiça com as próprias mãos, que vem sendo compartilhada e apoiada por muitos brasileiros nas redes sociais. Muitas pessoas apoiando atos de violência desse gênero. Nestas publicações, muitas vezes, vemos fotos de menores amarrados em postes ou que foram linchados após tentarem cometer algum tipo de crime, na maioria de vezes cometendo furtos. 

Essa prática vem se disseminando em todo país, e o que preocupa é que seja mais comum entre as futuras gerações. É necessário pensar que sociedade é essa em que estamos vivendo e que tipo de educação nossas crianças estão recebendo com esses exemplos de atrocidade. O que as pessoas fazem achando que é justiça, faz com que as vítimas passem a se igualar aos bandidos, e estes passam a ser vitimas. Acabamos de assistir tamanha violência praticada com crianças de 14 anos no centro da cidade, onde um adolescente teve sua vida tirada e outro foi baleado por quem deveria cuidar da segurança da cidade. A vida está banalizada. 

A criança não nasce marginal, ninguém nasce marginal. O marginal é resultado da sociedade que nega à população os seus direitos a educação, saúde, comida e trabalho. Não acredito que as mães tenham ventres malditos de onde saem crianças ruins. É como se existissem crianças que nascem para serem doutores e outras que nasçam para ser bandidas. Daí a falha na política de pacificação, onde se prioriza a policia no ligar dos serviços de atenção social aos moradores. O Governo gasta milhões para manter um batalhão de policiais nas favelas, mas não investe em cultura e educação, e o resultado é a violência que estamos vivendo. 

Outro erro comum é atribuir a marginalidade somente à pobreza. Existem muitos bandidos no asfalto muito mais perigosos que os pobres. Prova disso é a quantidade de políticos criminosos que fazem mal a toda sociedade, roubando das crianças o direito de um futuro digno e respeitoso. É o caso  que estamos acompanhando do homem de confiança do Rio de Janeiro que roubava dos mais pobres, da secretaria de assistência social e não foi preso e nem será, ao contrário de um pobre que se roubar para dar de comer a sua família, é preso, torturado e jogado na cadeia, sem chances de defesa. 

Aquela criança, que chamamos de trombadinha, na maioria das vezes não teve oportunidade de ser alguém melhor. Pelo contrário, teve que fugir de sua casa porque era espancada, ou não tinha família, foi para as ruas passar fome e frio. Ninguém vive nas ruas porque quer. E nas ruas conheceram a droga como forma de ilusão para solução de seus problemas. E assim, se inicia a história de um moleque sujeito a cometer qualquer atrocidade. Afinal, quem o ensinou o que era certo ou errado?

*Davison Coutinho, 24 anos, morador da Rocinha desde o nascimento. Bacharel em desenho industrial pela PUC-Rio, Mestrando em Design pela PUC-Rio, membro da comissão de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu, professor, escritor, designer e liderança comunitária na Comunidade, funcionário da PUC-Rio.

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