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Quem não se lembra da propaganda da 'asa delta' na tv? E as baladas românticas? Rádio Mundial... um charme

26 AGO 2014
26 de Agosto de 2014

Quem não se lembra daquela voz grossa, empostada, que estrategicamente esperava uma pequena pausa na música para mixar o MUNNNNN-DI-ALLLLLLLLL? 
Isto, além do charme, servia para que outras emissoras não gravassem o acervo da Mundial que era “updated” todos os dias, numa época que conseguir um 45 RPM importado era uma tarefa de gincana. (E.Bertoni) 

“Nos anos 60 e 70, a Mundial era uma das várias AMs cariocas que tinha uma programação predominantemente musical. Nesta época, não havia nenhuma FM legalizada. As FMs foram legalizadas pelos governos militares a partir da virada dos anos 60 para 70, com o objetivo de minar o prestígio das AMs. Estas, na medida do possível, davam espaço para a oposição e a contestação aos governos ditatoriais e a seus patrocinadores. 

O Sistema Globo passou a investir pesado na Mundial AM. A virada veio com a chegada do radialista e DJ Newton Duarte , o Big Boy, que assumiu a direção geral da rádio. Big Boy implantou uma programação pop extremamente inteligente e ágil. Uma programação que não deixava de tocar bons nomes da música popular. Por isso, é impossível falar da Mundial AM e do rádio do Rio dos anos 70 sem falar de Big Boy, um dos melhores radialistas da história. 

O próprio Big Boy apresentou alguns dos melhores e bem-sucedidos programas da Mundial. Neles, ele aproveitava sua experiência como DJ no Rio de Janeiro. 

Nos bailes "da pesada" promovidos em diversos lugares da cidade, como o Canecão e clubes do subúrbio, Big Boy apresentava as principais novidades da música pop. Nos anos 70, ele ajudou na explosão da black music e do funk original, muito superior ao insosso funk carioca surgido nos anos 80 e 90. 

Nos seus programas na Mundial, Big Boy apresentava as mesmas músicas que ele mostrava nos bailes, e ainda fazia mixagens ao vivo, no ar. Sua locução era extremamente original. 

Big Boy também gostava de rock. No dia da morte de Jimi Hendrix, o radialista chorou no ar, no horário do seu programa, enquanto fazia homenagens ao guitarrista. Enquanto isso, nas rádios reacionárias, Jimi Hendrix era tratado apenas como um "preto drogado". 

Como a Mundial tinha ouvintes em vários estados, a programação da Mundial AM virou referência para diversas AMs e FMs de todo o Brasil. No Rio, todas as boas FMs de qualidade que surgiram, desde os anos 70 até hoje, devem ao pioneirismo da equipe da Mundial AM. Até outras rádios AM copiavam o modelo da Mundial, a começar pela Excelsior AM 780 de São Paulo, que também era do Sistema Globo. 

Alguns programas desta fase da Mundial: Agente Oito Meia Zero, Ritmos de Boate, Show dos Bairros, Toca Toca Mundial, Good Night Mundial e Som dos Bailes. 
Às sextas-feiras, às 18 horas, Big Boy apresentava o “Cavern Club” onde só tocava Beatles. 

A morte prematura de Big Boy, em 07/03/1977, foi uma das maiores tragédias da história do rádio. A história do rádio e da TV brasileira teria sido melhor. 

A partir da morte de Big Boy, a Mundial começou sua lenta agonia, também por conta do surgimento das FMs. Logo de cara, em 1977, teve que encarar a concorrência da recém-criada Cidade FM. 

Já na virada dos anos 70 para os 80, a Mundial tinha se tornado uma rádio cheia de sucessos populares, substituindo a linguagem pop. Tudo para tentar levantar a audiência novamente. Mas as vinhetas pop não foram trocadas. Esta situação durou até o fim da emissora. 

A Mundial AM 860 foi extinta pelo Sistema Globo em 1992. A CBN, que havia sido criada experimentalmente na freqüência AM 1180, foi transferida para os 860 kHz, onde está até hoje.” 

( Fabiano Henrique )
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